02 abril, 2017

Dizer Sim!

Pode soar estranho, mas acho que o amor fati nietzscheano tem alguma afinidade com isso que eu considero uma certa perspectiva mística e religiosa. Claro, há diferenças significativas, mas tenho a impressão que uma atitude englobadora e abrangente é comum a ambas. Quer dizer, não estou seguro que toda experiência religiosa e mística seja meramente uma negação da vida e uma estratégia para dar sentido ao sofrimento. Às vezes também a religião pode ser uma forma de afirmação e celebração.

De qualquer forma, eis o famoso parágrafo 276 de Gaia Ciência:
Hoje a todo mundo é permitido expressar seu desejo e pensamento mais queridos: pois bem, também vou dizer o que desejava hoje mesmo de mim e qual foi o primeiro pensamento que esse ano passou pelo meu coração — que pensamento há de ser para mim doravante a razão, garantia e doçura de toda a vida. Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas. Amor fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!

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