11 novembro, 2013

O poder do dinheiro e o cinismo da política

De acordo com nota divulgada pela prefeitura, a operação, denominada Ordem na Casa, teve como objetivos “garantir a segurança, combater o tráfico de drogas, oferecer auxílio a viciados, remanejar famílias vivendo em situação de risco social para outras áreas, fazer a limpeza e capinação de todo o terreno, além de retirar construções irregulares e que corriam o risco de desabamento”.
Olhe a paisagem acima, leia a justificativa oferecida pela prefeitura para a desocupação ocorrida na manhã na madrugada de hoje na Ladeira da Preguiça e me responda com honestidade: você acredita no que eles estão dizendo? será que no quadro de prioridades a valorisadíssima região da Contorno deveria ser alvo preferencial, quer pelo risco aos moradores, quer pelo criminalidade ligada ao tráfico?

O cinismo mal disfarçado da prefeitura se justifica na crença (bem fundamentada, creio) de que ninguém se oporá às suas ações e de que delas nada resultará. Assim, a cidade de Salvador segue entregue aos interesses do setor imobiliário, enquanto o interesse público é preterido e, quando muito, usado como escudo para disfarçar ações de interesses privados. E quem sofre com isso, como sempre, são os mais pobres, que não tem como se defender das ações dos mais poderosos, que no Brasil tem como prepostos quase sempre os próprios agentes públicos.

Em qualquer cidade brasileira ações como essas ocorrem regularmente, mas em Salvador, onde o silêncio surpreendente da população tem andado de mãos dadas com a notória decadência de uma cidade que já teve tantos atrativos, é especialmente dorolosa a apatia com as pessoas vem tudo acontecer.

Mais do que nunca, é preciso dar mais força ao Movimento Desocupa, um dos poucos movimentos civis (senão o único) que tem se empenhado em combater e denunciar certos vícios invisíveis da administração municipal, e discutir propostas para a cidade.

PS. A prefeitura ainda deu uma limpada em toda área, que é pra diminuir os custos das obras que virão, e assim facilitar a vida das pobres empreiteiras. Notem também que, apesar do pretexto mobilizado como justificativa, “a assessoria da Semps, porém, não soube informar o número exato de pessoas transferidas, nem para quais Cras foram levadas, nem quantas casas foram destruídas”.

Atualização: Franciel me avisa pelo Twitter que a operação aconteceu de madrugada e que há outro grupo (felizmente) discutindo a cidade: A cidade também é nossa!

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