12 novembro, 2012

Teologia da prosperidade: egocentrismo a serviço de uma máquina de fazer dinheiro

Diferente de mim, talvez vocês conheçam crédulos (especialmente evangélicos) dignos de serem reconhecidos como pessoas boas. A maior parte das que eu conheço (estimativamente 96 a 98%) são pessoas completamente mundanas, absorvidas por inteiro em seus próprios problemas e preocupações. Quando porventura se arriscam a olhar pro lado, quase sempre o fazem para julgar e condenar aqueles que não se encaixam em suas estreitas visões de mundo. Não são praticantes da famosa (e irrealizável) prescrição biblíca “amar o outro como a si mesmo”, antes, são odiadores prontos a destilar rancor em quem quer que se apresente para lhes dizer o mínimo de contrariedade (ou às vezes nem isso).

Autoproclamadas cristãs, essas pessoas costumeiramente passam ao largo de qualquer gesto de bondade, tolerância, compreensão e amor (que não seja o universal self-love). E, no entanto, vejam só, não só esperam com sinceridade estarrecedora que um Deus as recompense por suas vidas devotadas aos seus próprios interesses, como investem dinheiro nisso, alimentando fábricas de lucro a que costumamos chamar igrejas.

Será que o egoísmo refletido aí é uma consequência ou um pressuposto da participação nesses cultos? Eu bem sei quanta tolice é preciso engolir para acreditar nas coisas que dizem pastores cada vez mais -- para dizer o mínimo -- limitados (há algo de desculpável em ser enganado por pessoas astutas, o que não é o caso*), contudo, é preciso um estado de completa letargia e estupor egoístico para acreditar que num mundo preenhe de maldade e absurdos inomináveis, um suposto Deus iria recompensar, não boas pessoas e seus atos bondosos, mas burocráticos oradores e pagadores de dízimo. Será que isso faz sentido na cabeça deles?

* Ou talvez a maior prova de que eu esteja errado seja a eficiência com que eles arrecadam caminhões de dinheiro.

Um comentário :

Jamille disse...

Eu não tenho esse jeitinho para estruturar um pensamento como você, mas até mesmo quando era uma simples estudante do segundo grau já discutia isso para justificar minha descrença em tudo que ouvia nas Igrejas. E, pela minha falta de jeito para estruturar meus pensamentos, lá ia eu dando um exemplo: se Deus fez esse mundo lindo pra gente, se a natureza é fantástica, por que diabos DEus me daria em recompensa por minha devoção um carro poluidor, uma casa à beira-mar que interfere no meio ambiente? Me ajude a prosperar meus negócios lucrativos que expõe meus funcionários a riscos físicos e psíquicos? Ou quem sabe me faça ganhar uma grana absurda no futebol, ajudando a alimentar o tratamento diferenciado de atletas (quando o Cristo prega a igualdade? Mas ninguém nunca soube me responder....