25 março, 2011

Aburso cotidiano

Foto postado por Sergio Leo no Twitter.

Os recentes episódios envolvendo a ação polícia nos impelem a juízos passionais. Mas é preciso conter o impulso de julgar a classe inteira em função de uma minoria. É certo que a maioria dos policiais não toma parte em atitudes como as que estão ilustradas na foto acima. Mas uma coisa é certa: uma parte substancial é complacente com ações desse tipo. Cultura é isso, o ambiente em que certas práticas são regras, enquanto outras, exceções. A cultura policial parece admitir a violência, de sorte que abusos flagrantes não tiram o sono nem mesmo dos mais cordatos agentes da lei. Mas a cultura da violência, da corrupção, não se preserva pela constância das ações de policiais violentos e corruptos, mas, especialmente, pela insistência corporativa em fechar os olhos para os abusos cotidianos que decerto perfazem a regra da ação policial -- e que só fortuitamente emergem à vista da opinião pública.

É certo também que as condições adversas concorrem para alimentar um ambiente desfavorável, no qual o policial se sente o único interessado em promover a justiça, a própria encarnação da lei. De um lado, a população desconfiada pela ação truculenta frequentemente registrada nos jornais, do outro, a remuneração baixa do governo correndo em paralelo à fiscalização e à denúncia das entidades de direitos humanos. O policial parece não encontrar amigos. A população desconfia, o governo ignora e as entidades de direitos humanos denunciam. A desconfiança da população tem razão de ser e a observância das entidades é mais do que necessária. Falta ao governo, a única parte dessa equação que pode agir objetivamente, atuar no sentido de abrandar essa condição, devolvendo à polícia o ambiente em que eles se sintam parte um plano maior e não cavaleiros solitários, juízos e executores.

Apesar dos panos quentes, não podemos eximir de responsabilidade individual os sujeitos que agem da maneira que temos visto -- tampouco podemos acreditar que o silêncio e a conivência de seus colegas policiais é menos danoso. O corporativismo é um mal a ser exterminado, ou pelo menos equilibrado em níveis aceitáveis. Quando a covardia se investe de poder, não há outro resultado senão o abuso e o despotismo. Se devemos deter nosso impulso de julgar uma classe inteira a partir de ações isoladas, parece razoável, no entanto, exigir que no próprio interesse de preservar a imagem da categoria, os mesmos policiais sejam mais críticos uns em relação aos outros, evitando uma postura incondicional que só pode produzir o predomínio da violência que hoje é um diagnóstico inevitável.

2 comentários :

Andréa disse...

Olá!!! EU acho que esse tipo de coisas tem que ter um basta um dia...eu concordo com o que escreveu, o governo tem que remunerar melhor a polícia sim...mas acho que teriam que fazer uma seleção mais forte quem passar na prova teriam que ter um acompanhamento com um psicologo ou pisiquiatra forte...para saber tb se o candidato tem estrutura para aguentar as situações que passam...acho que falta um pouquinho de acompanhamento nesse sentido....acho que é isso.
Um abraço

Leonardo Bernardes disse...

Sem dúvida, Andrea. É uma rede de questões que não podem ser dissociadas. É preciso pensá-las assim, em conjunto. Melhor remuneração, seleção mais rigorosa, acompanhamento regular.. mas cada parte tem sua responsabilidade, a gente tem que distribuir a responsabilidade e os deveres.