25 fevereiro, 2010

O limite das explicações

O tema é mesmo fascinante. Não à toa eu mencionei repetidas vezes o aforismo de Wittgenstein sobre o alcance das respostas científicas. Abaixo, numa passagem que, se não fosse caracteristicamente técnica, seria algo mística, Bouveresse comenta a visão de Wittgenstein acerca das análises de Frazer sobre magia e sobre o comportamento de povos primitivos. Sobre a pretensão de reduzir a magia, os ritos e simbolismos que ela envolve, à uma ciência primitiva, a um ideia equivocada sobre a natureza, enfim, a uma tentativa errônea de controlar as forças externas (o tema envolve o etnocentrismo como um dos seus aspectos).
From Wittgenstein’s point of view, there are cases where we are completely mistaken, when we believe that the trouble comes from the absence of an adequate explanation, and that the solutions depend on our acquiring supplementary empirical information that will enable us to construct a explanatory theory.

So, for example, we are mistaken when we explain the very special impression made on us by contemplating the starry sky by putting it down to the information supplied by astronomy regarding the formidable dimension of the stellar universe, the possibility that other worlds are inhabited and so on. What Pascal expresses when he says that ‘the eternal silence of these infinite spaces terrifies me’ could be felt well before mankind had an adequate idea of stellar distances, the vast number of worlds, and the insignificance of our own tiny world. 'Wittgenstein's critique of Frazer'
O fervor com que nos agarramos às explicações talvez seja a expressão da incapacidade para aceitar que a vida tenha uma dimensão que escapa ao nosso controle, e que essa dimensão possa ter mais importância do que supõe (ou dissimula) nossas pretensões científicas e controladoras.

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