28 Setembro, 2009

A ilegitimidade do golpe em Honduras

A banalidade que é preciso entender sobre o golpe em Honduras é que nenhuma Constituição prescreve a situação em que se legitima uma ruptura institucional. Isso porque uma Constituição é fechada em si, ela não tem nenhuma medida de justiça senão ela mesma, porquanto ela demarca o espaço de legitimidade dentro do qual operam os membros do judiciário. Portanto, há uma diferença significativa entre contrariar instruções legais e dissolver a ordem instituicional. Os papagaios que inutilmente tentam conferir legitimidade ao golpe mobilizam a intenção do presidente de convocar um plebiscito para legitimar a reeleição como pretexto para o golpe. É como se dissessem: "deflagramos um golpe antes que ele o fizesse". Mas há um equívoco central nesse pensamento visivelmente rasteiro e ele diz respeito a diferença mencionada entre contrariar as leis e romper com o sistema legal.

Vale lembrar que quando a oposição*, aqui no Brasil, deu substância e vigor à voz minguada e solitária de algumas toupeiras que pediam mudanças na lei para permitir um terceiro mandato do presidente Lula, não se perdeu a confiança na atuação das instâncias judiciais compententes para desarticular a possibilidade de uma proposta insconstitucional. Não se propôs um contragolpe, porque numa sociedade minimamente estruturada as instituições são o bastante para desfazer as possíveis ameaças à ordem institucional. A Constituição cria seus próprios dispositivos para impedir que se lhe contrarie e o exclusivo emprego dos dispostivos e expedientes constitucionais é parte fundamental da própria ordem que ela institui.

A tentativa de legitimar o golpe é exatamente o oposto: pretende valer-se de expediente externo à própria lei. É o enorme paradoxo de convocar a suposta ameaça à ordem instituída para legitimar a destituição da ordem. Esse teatro é um mero jogo de luz para esconder os reais interesses que se encenam sob os panos: a velha rixa com o presidente da Venezuela. Algumas pessoas no Brasil não tem mais o que fazer além de criar picuinhas com Hugo Chavez. Tudo que ele apoia está errado -- e se o Brasil por consequência e mesmo que acidentalmente se alinha à sua posição, viva!, vamos festejar a ocasião para lançar pedras no governo. Sergio Leo bem destacou um artigo do New York Times que mal menciona a participação do Brasil nesse episódio. A amplificação do seu papel é mais um capítulo de uma novela que já conhecemos (reparem a capa da Veja dessa semana).

As ações do governo brasileiro devem ser cuidadosas e pensadas, mas não há dúvida de que não se pode reconhecer o golpe e sua pretensa legitimidade. Como os hondurenhos liderão com as mutretas e manobras de Zelaya, essa sim é uma questão interna, soberana, relativa às instituições e que não pode ser resolvida sem elas, ao contrário do que pensam os golpistas.

* A mesma oposição que articulou a compra de votos a favor da aprovação da proposta de reeleição na era FHC. É bom lembrar, praqueles que só lembram de "mensalão".

Atualização 1: Mauricio Santoro escreveu um bom texto exigindo do Brasil uma postura mais sóbria e conforme as normas internacionais. Muito bom, porque ele sabe do que fala. Mas ainda sim parece não reconhecer a dissimetria entre os erros de Zelaya e dos golpistas.

Se o golpe se estabeleceu como resposta à ameaça de atos ilegais, condicionar o retorno do governo legitimamente constituído à promessa de não praticar tais atos é incorporar a possibilidade do golpe no inventário de instrumentos legais (além de marginalizar as instituições, na função de guardiãs da legalidade do Estado). Eu asseguro que isso é muito mais perigoso do que romper normas internacionais que, convenhamos, ninguém respeita. A instabilidade política que isso acarretaria é muito mais danosa.

Atualização 2 : Sergio Leo e Clóvis Rossi escreveram textos muito interessantes sobre o caso. Eles expressam opiniões sobre as forças reais que animam as análises e toda a querela em torno da atuação do Brasil nesse episódio, vale a pena lê-los.

Atualização 2 : Élio Gaspari elogia posição do Brasil em Honduras. Excelente texto!

Fabricando olhares

É comum pensar, quando algo nos comove, que estamos sendo afetados diretamente. Como se as impressões acessassem nosso espírito sem intermediários. Por outro lado se consideramos os pensamentos, a atividade intelectual, julgamos executar uma operação, exercer uma atividade que não é nada mais do que uma elaboração do material acumulado pelos sentidos e armazenado na memória. Curioso como o modo mais comum de encarar o funcionamento dos sentidos ou mesmo da atividade intelectual é vivamente marcado por uma forte tradição filosófica. Talvez fosse conveniente dissolver as categorias razão e sensibilidade (para usar o binomio clássico eternizado também pela literatura), contudo, penso que pode haver algo de produtivo em manter as coisas assim a fim de mostrar que, mesmo com esse esquema, as coisas podem correr de maneira diferente (e efetivamente correram, na história da filosofia).

Essa ruptura radical entre razão e sensibilidade* alimenta a antiga ideia segundo a qual tudo que é racional é meramente mecânico, e como se as operações e atividades intelectuais fossem uma espécie de corrupção do sentido original da impressão. Tudo que a racionalidade pode fazer é manipular a matéria das impressões armazenada na memória, já esmaecidas, destituída do brilho singular que a distinguia. Razão é cálculo, frio e sem espírito. A sensibilidade, por sua vez, na medida em que é pura, é intensa. Têm a força das coisas indomadas, incontidas. A sensibilidade é a matriz do conteúdo manipulado pela razão, mas o sentido dessa sensibilidade pura é maior antes de ser condicionado nas categorias racionais.

A oposição da racionalidade categorizante, opressora porque ansiosa por domesticar os impulsos sensíveis, à sensibilidade originária, mãe generosa de todas as impressões, rica, selvagem e incontrolada, é o manancial infindável da literatura, da poesia -- e mesmo da filosofia. Tantos foram os poetas que denunciaram o estreitamento promovido pela linguagem ((o Orkut ficaria algo mais autêntico se os depoimentos ali não pudessem se servir da antiga premissa que sugere que as palavras nunca podem ser fiéis aos sentimentos, manifestação clara de uma espécie de consequência dessa ruptura)). Clarice Lispector foi maestra na arte de levar essa ideia às bordas da criação: A paixão segundo G.H. narra a deposição dos limites de um identidade lógica, gramatical, psicológica, como se postas abaixo as fronteiras da individualidade, o que restasse fosse uma unidade absoluta com o todo, capaz de nos fazer coexistir e experimentar mesmo o mais repulsivo. Essa unidade é uma forma radical de "negação" do fracionamento racional, um retorno à imensidão do sentido pré-condicionamento intelectual, à vivência do absoluto -- o mar é a imagem que Clarice usa para simbolizar esse absoluto.

Há algo de injusto no tratamento dispensado à razão. As fronteiras não são assim tão nítidas. Razão e sensibilidade se confundem no instante da elaboração do olhar. Esse tema, a propósito, ocorreu quando recordei um par de epifanias tolas que ilustram esse entrelaçamento. Bem, deixem então que eu conte uma delas. É bobagem, adianto, mas eu gosto de flagrar não a descoberta da beleza, mas a sua invenção. Ainda que talvez o significado -- ou a própria identididade daquilo que considero belo só possa receber a chancela dos meus proprios valores e dos de ninguém mais.

Certa feita eu entrei num ônibus e assim que passei a catraca** constatei com pesar que quase todas as janelas estavam ocupadas. Inconscientemente, demorei um pouco mais observando o modo como cada uma das pessoas se ocupava com o recorte da paisagem emoldurado pela janela. Cada uma delas tinha o seu próprio mundo. Mas isso ainda não era significativo para mim. O que havia apenas era a constatação factual de que as pessoas estavam ocupando as janelas do ônibus, de costas umas para as outras. Sentei perto da catraca, na cadeira do corredor. Pouco depois entrou uma mãe com uma criança e sentou na quarta ou quinta fileira do ônibus. A criança descobria que podia gritar, brincava, parecia divertido. Mas era de tal modo divertido vê-la brincar, balbuciar sons inarticulados, berrar, que as pessoas antes ocupadas de suas vidas e de suas paisagens particulares, passaram a olhar para ela. De repente então eu me dei conta do cenário: a criança havia conseguido fazer confluir o que antes era disperso. Mais do que isso, no rosto de cada um dos passageiros havia um sorriso bobo de complacência, desses que a gente dirige às crianças como se dissesse: "eu entendo". E eu ali atrás com o mesmo sorriso bobo e com os olhos marejados de um certo orgulho infantil, não por ter descoberto aquela cena, mas por tê-la fabricado. Talvez outra pessoa, por desatenção ou qualquer outro motivo, não tivesse pensado o mesmo. Mas eu estava ali testemunhando a espessura da dispersão que agora eu simbolizava -- mobilizando todos os clichês da crítica à sociedade moderna -- como a insensibilidade, o atomismo e a individualidade dos nossos tempos ser vencida pela leveza dos caprichos e brincadeiras de uma criança. E isso guardava para mim, e talvez só pra mim, uma beleza sem nome.

Essa é uma das razões por que eu pensei que talvez nós não precisássemos conservar esse distanciamento das coisas racionais, imputando a elas uma frieza própria do que não tem sentimento. O sentimento mesmo já se confunde com um certo modo de olhar -- ainda que um olhar que busque o infinito, o absoluto -- como um recorte e uma organização racional, sim!, por que não? O trabalho do artista talvez seja o de um organizador empenhado em construir novas figuras a partir de unidades com as quais nós só conseguimos formar as mesmas imagens puídas e cansadas. Talvez, então, se pudermos pensar assim a razão, possamos encontrar algo mais libertador do o retorno ao absoluto pré-condicionamento categórico da razão, possamos encontrar a promessa da beleza nesse esforço, acessível a todos, de buscar sempre um novo olhar que revele, não a essência das coisas, mas algo que nós queremos ver, algo de nós mesmos, não encrustado, mas projetado sobre elas, sobre o mundo.

* Toda vez que eu uso conceitos filosóficos assim tão levianamente meu supergo filosófico açoita com sofreguidão as costas do meu ego.

** Catraca = Borbuleta (dicionário de baianês)

20 Setembro, 2009

Sob o império do voyerismo

Quando as câmeras de vigilância passaram a ser usadas largamente surgiu o debate sobre os limites do monitoramento eletrônico e a violação das liberdades individuais. Hoje em dia, curiosamente, a mesma ciosa sociedade é uma expectadora voraz da privacidade alheia. Nesta semana um episódio ilustrou essa configuração: o vídeo de uma mulher que grita desesperadamente com o marido (ou namorado) pedindo um chip -- que ele não traz -- estourou no twitter. Por alguma razão uma pessoa perdeu o controle. Em muitas ocasiões perdemos o controle. Talvez o resultado não seja o mesmo, mas com frequência produzimos episódios que não gostaríamos que fossem de domínio público. Não se trata especificamente de uma questão jurídica, alguém poderia dizer: ela estava no espaço público e quem gravou, em sua casa. Bem, nem todos os códigos necessários à sociedade estão inscritos nas leis, como nem toda moral é expressão de regras antiquadas e dispensáveis. Uma porta aberta não é um convite para entrar.

A internet e as novas tecnologias criam um gênero muito particular de voyerismo. Mas se pensarmos bem concluiremos que é ingenuidade acreditar que tais circunstâncias criam algo novo. Na verdade, elas amplificam velhos hábitos. O interesse quase doentio pela vida alheia não começou agora. Os vizinhos desde sempre observam os episódios de cólera uns dos outros, comentam entre si, e os próprios comentários integram o espaço das relações na vizinhança. São perfeitamente administráveis do ponto de vista da economia psíquica. A ampliação da voz das pessoas que se interessam pela privacidade alheia, por outro lado, gera consequências nefastas. Considerem a multiplicação de gadgets, celulares e dispositivos com câmeras embutidas. Não é preciso muito: o mundo de hoje é assim. Mas isso ainda é recente -- a situação se aprofundará, novas pessoas terão acesso a aparelhos semelhantes, pessoas de outras classes, de todas elas. O cenário é um mundo no qual, com ou sem consentimento, a possibilidade de ser filmado é incontornável.

Isso altera significativamente o espaço público, o modo como as relações se travam dentro dele. Há duas opções: ou se aceita como natural a chance de serem filmado e exposto na internet, ou o comportamento no espaço público se transformará exigindo uma atenção especial à conduta, um policiamento que não virá sem ônus psíquico. Uma sociedade mergulhada em estresse não incorpora uma atribuição dessa ordem sem custos. O policiamento e o controle são fontes seguras de aflições as mais dolorosas (vejam o que Freud fala sobre os Santos). Uma parcela de naturalidade e espontaneidade, sacrificadas pelo medo da exposição, dará lugar a um certo cuidado imensamente oneroso. As barreiras não se erigem gratuitamente -- a história da civilização prova isso. Não será uma substituição brusca, como se de repente todos se transformassem em atores, mas um comedimento que bastará para incrementar o mal-estar que desde o início do século passado foi dianosticado.

Qualquer das opções que venha a vigorar implicará uma custosa reformulação da mentalidade. As novidades são inevitáveis, mas o bom ou mau uso delas será efeito de termos ou não consciência de suas implicações e de seu alcance. Há uma inconsequências generalizada -- que não é novidade -- mas que ganha maiores proporções com a globalização promovida pela internet, é preciso estar atento às mudanças que se projetam sobre nossas antigas práticas.

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Há um filme que, pro bem ou pro mal, explora as consequências dessa superexposição que a internet abre. Assistam, é interessante. O argumento é bom e segue a linha do meu argumento contra esse voyerismo incontrolado. O nome dele é Sem Vestígios (Untraceable).

18 Setembro, 2009

O calor dos outros

Diziam-me que só tinha importância pintar. Que era necessário, até por higiene da alma, prescindir das mulheres, dos amigos e do dinheiro, desinteressar-se de paisagens e de oceanos, não aceder nunca, não tomar a sério o sem sentido de um mundo, de uma vida que eu não fiz, que me foram impostos, que estão aí, do lado de fora e do lado de dentro, implacáveis a cada despertar, sem que ninguém haja tido a cortesia de me consultar, de me pedir opinião, pelo menos, sobre algum detalhe pequenino e, na aparência, não importante.
Flávio Moreira da Costa definiu Onetti como um lobo solitário que através da obsessão de escrever busca o calor dos outros. O distanciamento é quase sempre a marca da genialidade, como outrora, na Grécia, a bílis negra (melancolia) distinguia os grandes homens. A escrita e a obra do gênio restituem os vínculos com a sociedade -- com a alteridade. Indiretamente, é claro, como uma espécie de sublimação. No final das contas, a ruptura é insuperável.

Mas o que resta ao homem comum, sem gênio e sem obra? Que expediente refaz os elos desfeitos, preenche o espaço vazio que separa a alcateia solitária do continente, do mundo?

14 Setembro, 2009

The song remains the same

A discussão assume uma forma, segunda a qual tudo aquilo que possa se entendido como expressão de uma mentalidade oposicionista é apresentado de tal modo que em suas consequências possa ser vinculado a uma ou outra espécie de extremismo: assim se estabelece, por exemplo, uma ligação entre modernidade e niilismo, entre programas de assistência e pilhagens, entre intervenções do Estado e totalitarismo, entre a crítica aos gastos com armamentos e a cumplicidade com o comunismo, entre o feminismo e a luta pelos direitos dos homossexuais, de um lado, e a destruição, de outro, entre a esquerda em geral e o terrorismo, o anti-semitismo e mesmo o fascismo.
Habermas citando Peter Steinfels em Modernidade -- um projeto inacabado. As estratégias discursivas se conservam. Em tempos de Obamacare, o FUD se consolida como ferramenta política privilegiada. E até o nazismo é convocado a figurar nas dramatizações políticas anti-Obama. The song remains the same.

Atualização: vejam as fotos de uma passeata anti-"Obamacare", é ridícula!

11 Setembro, 2009

Necessidades verdadeiras e necessidades artificiais



Faz poucas semanas eu enviei a uma amiga alguns ebooks a fim de que ela pudesse compor o material necessário a uma ementa que aborda a cultura de massa e a indústria cultural. Puxando a sardinha para minha brasa, enviei Eros e Civilização -- não sem considerações prévias. A questão não está entre as preocupações centrais do livro embora certamente figure como uma das suas peças. Bem, as observações que fiz me estimularam a escrever sobre um dos aspectos mais interessantes do livro: a distinção entre necessidades verdadeiras e artificiais. (É bem verdade que a distinção só aparece nitidamente em sua Crítica ao hedonismo, no entanto, se encaixa perfeitamente em Eros e civilização apesar do seu papel, por assim dizer, secundário). A sociedade repressiva, segundo o juízo de Marcuse, sobrevive às custas de uma produtividade cega e voraz que só se mantém se substituir as necessidades verdadeiras (de extração biológica e biologicamente determinadas) por necessidades artificiais forjadas no próprio sistema. A produtividade repressiva gira no vazio, alheia aos interesses que legitimaram a associação que deu origem à Civilização (Kultur). Bem, vamos entender esquematicamente como Marcuse chegou a esse panorama pelas vias do pensamento psicanalítico de Freud.

Tudo tem início numa teoria da civilização: Freud entende que a formação de uma organização social complexa encontra sua origem em arranjos biologicamente determinados. A estrutura familiar é berço da sociedade e da civilização. Daí a importância do mito de horda primordial. Essa noção é igualmente importante para Marcuse. Bem, nessa organização social primitiva, o pai cumpre uma função determinante: ele provê a segurança e a unidade familiar, enquanto restringe o prazer dos filhos. A ambivalência da relação é fundamental para entender posteriormente a formação do sentimento de culpa e sua importância para manutenção da ordem social. No limite da tensão pelo despotismo do pai, os filhos se insurgem e, em nome da liberdade, matam-no. A aparente liberdade e o prazer irrestrito logo dão lugar a um esgarçamento da organização social responsável pela segurança, por benefícios e vantagens que os filhos não estão dispostos a abdicar. Arrependidos, os filhos resolvem reeditar a antiga organização social mediante um pacto. A ordem deposta cuja força dependia da presença física do pai agora é renovada através de uma espécie de "contrato" estabelecido entre os filhos. O que dá coesão ao contrato? O receio de perder os benefícios que importam da organização social. É esse aprimoramento que substitui um poder identificado numa figura de carne e osso pela ordem abstrata mantida no interesse de vantagens associativas que Freud identifica como o primeiro passo da Civilização. Nesse cenário, a culpa consiste num fator cardinal. O parricídio lança na memória da espécie a culpa pela dissolução de uma organização social que, sendo custosa, é, mesmo assim, vantajosa. A coesão que mantém firme o pacto entre os membros de uma sociedade se estreita na medida direta em que a culpa aumenta. Ninguém quer ser o responsável por lançar a comunidade no caos que se seguiu pouco depois do assassinato do pai (houve ainda o período matriarcal que não convém abordar aqui).

Esse esquema é extremamente frutífero para a articulação de um crítica social tal como Marcuse o mobilizou. A organização social e a produtividade necessária à sua manutenção exigem um ônus biológico, o sacrifício do prazer. É assim que se constitui o Princípio de realidade, mediante a subordinação do prazer à ordem. A energia instintiva antes investida na busca pela satisfação agora é direcionada às atividades socialmente úteis. Essa reorientação é tolerável enquanto ela produz benefícios que ajudam a dispersar a  tensão gerada pelo organismo (lembramos que o prazer e o desaprazer, no regime de energias orgânicas de Freud, é a contenção ou descarga de tensões acumuladas, nesse sentido o prazer é a descarga e o desprazer o acúmulo). Enquanto as tensões se dissipam o organismo tende à vida, isto é, a manter-se como está. O instinto de vida é Eros. Quando as tensões de acumulam, Eros se enfraquece e o organismo tende à morte. A morte, nesse regime, vale tanta quanto à paz, isto é, quanto a ausência de tensões. O que o organismo quer, ao final, é a homeostase, o equilíbrio, a possibilidade constante de descarga das tensões.

Mas como se encaixa a crítica social de Marcuse nesse plano de energias libidinais? Bem, destacamos o fato de que a organização social implica um ônus libidinal, é como se restrições impostas pela sociedade produzissem o combustível necessário para as atividades produtivas exigidas pela manutenção dessa ordem. No entanto, há limite para o que se pode exigir dessas restrições. A própria instituição de uma sociedade se legitima somente na medida em que a produtividade que lhe é própria se dirige a finalidades que busquem promover o benefício comum e assim, indiretamente, contrabalançar as perdas originais impostas ao organismo. A individualidade perde parte de sua liberdade de gratificação em nome de uma sociabilidade que deve restituir as perdas impostas com ganhos reais, vantagens que a condição social traz na medida em que se constitui como uma ferramenta mais apropriada na luta contra a natureza (Freud afirma que há incontáveis caminhos para a felicidade, mas apenas três vias para a infelicidade -- e a força da natureza é uma delas: vide O mal-estar na civilização). No processo histórico, o elo entre produtividade e racionalidade se perde em algum momento. Isto é, a produtividade antes condicionada aos princípios originais de associação e à necessidade de desenvolver as ferramentas da luta pela existência passa então a se dirigir de forma autômana. As demandas sociais são marginalizadas e o espaço se abre para o enfraquecimento de Eros e para o fortalecimento do instinto de morte. A violência crescente se explica nessa dinâmica. É assim também que se resolve o aparente paradoxo entre riqueza teórica e material acumulada pela humanidade e o indisfarçável mal-estar que cresce no próprio núcleo da sociedade. Mas as antigas demandas cobram seu espaço -- é preciso lembrar que Freud concebe a felicidade como consecução de anseios primitivos -- de sorte que à medida que a produtividade vazia cresce, é cada vez mais indispensável calar a voz insistente das necessidades biológicas, soterradas pelo trabalho alienado que não contempla suas necessidades. É assim que surge então o caminho no qual se permite uma leitura envolvida com as noções de indústrial cultural e cultura de massa, no interior de Eros e civlização. A indústria cultural, nesse contexto, vem no sentido de substituir o motor biológico das necessidades -- que restringe à produção a uma demanda que pode ser atingida e que, portanto, limita o ímpeto produtivo -- pelo motor cultural de necessidades. A indústrial cultural, portanto, é o lugar onde as necessidade s são elaboradas para satisfazer ao impulso incontrolado da produtividade capitalista. A produtividade não tem nenhuma finalidade, ela é um fim em si mesma e portanto precisa de um mecanismo que seja capaz de alimentar uma sede incessante. A produtividade, no esquema anterior, no espaço original, se orientava pelo propósito de constituir as ferramentas que auxiliariam os homens na luta pela existência. Na medida em que avançava nessa luta, a tendência original era justamente a contrária: o abrandamento da força repressiva na medida em que fossem conquistadas as condições necessárias a uma menor exigência de trabalho. O cenário é complemente oposto ao que Freud e Marcuse enxergavam no século passado. A produtividade desenfreada só se conserva se alimentada por uma demanda igualmente incessante. As necessidades verdadeiras, derivadas da conformação biológica, são substituídas por necessidades artificiais, forjadas com o exclusivo intuito de manter operante o maquinário produtivo capitalista. No espírito da crítica marcuseana, retomar a autonomia e o lugar do homem no processo histórico consistia em restituir a autonomia do processo produtivo, detendo a cegueira do maquinário capitalista. A par dessa crítica sociológica, Marcuse alinhava o parecer psicanalítico freudiano que sublinha a esmagadora força da culpa exigida pela manutenção de um status tão frontalmente oposto aos desígnios instintivos. É certo que a "a felicidade não era um valor cultural" para Freud, mas os níveis atingidos na sociedade moderna ultrapassam um limite razoável.

Para mim, essa é um rica abordagem para os problemas relativos à indústria cultural. Quer pelas perspectivas que abre, quer pelo arsenal teórico que mobiliza. Muitas outras questões se ligam ou derivam dessa perspectiva. O lugar do sentimento de culpa na manutenção da ordem social é, por si só, uma pauta interessantíssima. Ou o próprio estatuto da teoria psicanalítica e as consequências da visão de mundo que ela enforma. Caso vocês se interessem pelo tema, eu sugiro que leiam ao menos a introdução de Eros e civlização. Se se sentirem atraídos, estou certo de que vocês encontrarão um livro profundamente estimulante. Não sem razão Lebrun pensava que havia dois Marcuses: um pensador rigoroso na linha direta de Heidegger (seu orientador) e de Hegel, seu horizonte, e o intelectual capaz de incendiar as mentes juvenis com ideias revolucionárias, interpretadas, erroneamente, com panfletárias.

08 Setembro, 2009

Política sem medo

A crise do Senado passou sem que nenhum responsável fosse apontado. Alguns dizem que apesar disso ela trará mudanças significativas. Eu tenho minhas dúvidas. Só confio em profecias semelhantes quando elas vêm acompanhadas de previsões, ainda que imprecisas. Do contrário a afirmação soa como uma aposta que será esquecida caso não se cumpra ou relembrada como visionária caso se realize. Prever consequências é estabelecer relações entre elementos do presente e eventos futuros, sem que se apresente as razões que nos levariam das causas às consequências, tudo que temos é uma aposta -- aposta, talvez, amparada por um senso de experiência ou por algum sentimento subjetivo de pouco valor prático, porque não público e portanto não operacionalizável.

Não vejo razões para acreditar que apesar da impunidade, a crise trará mudanças. Ao contrário, o horizonte da política brasileira parece estar povoado de elementos que nos fazem acreditar que estamos perdendo o frágil poder de levar nossos representantes a agir conforme nossos interesses. Mais do que isso: parece que estamos perdendo a capacidade de coagi-los a não agir em desacordo às nossas conveniências. Estamos em pleno domínio da política sem medo. Não se trata, obviamente, de um medo da violência, mas do receio e da hesitação diante da possibilidade de respostas, de reação. Grande parte dos políticos brasileiro -- senão a totalidade -- age tendo como referência a mera pressão eleitoral. Talvez seja ingenuidade acreditar que é diferente em qualquer outro canto do mundo, pode ser, mas em outros lugares o poder se recolhe ao simples aceno de uma mudança da opinião pública. Num país dominado estritamente pela forças eleitorais, se os políticos perdem o medo de agir contrariando a opinião pública é porque desacreditam a possibilidade de sofrerem respostas eleitorais. Talvez a regular e ininterrupta eleição de caciques e coronéis ao longo de décadas tenha fixado na cabeça dos políticos a ideia de que, no final das contas, importa muito pouco o que faz um político quando ele atingiu um certo status em seus domínios. No Nordeste inteiro, no interior dos estados -- mesmo no interior de São Paulo, dizem conhecidos -- o coronelismo grassa irrestrito. O curioso é que esses políticos se mantêm sem que haja uma contraparte  significativa, a relação que eles estabelecem com seus eleitores é como a caricata relação que se conta entre portugueses e índios, a troca de minerais valiosos e outros artigos de interesses por espelhos e trivialidades urbanas. Os eleitores brasileiros vendem muito barato o poder que conferem aos seus políticos.

Tudo isso é um preâmbulo pra anunciar uma segunda e sintomática ocasião para avaliar a destemida conduta dos políticos brasileiros: o caso da censura à internet no período eleitoral. Como se não fosse o bastante ignorar os abusos trazidos a público durante crise, nossos representantes sentem-se fortes o bastante para, pouco tempo depois, nos fazer engolir sem maior reserva uma censura explícita. Com o claro propósito de controlar as forças que desde 2006 já se desenhavam como determinantes para o debate eleitoral, eles têm se empenhado em fabricar amarras que condicionem o fluxo incontrolado da internet aos seus interesses. É um jogo de cartas marcadas onde qualquer oposição é meramente cênica. A proposta de controlar a internet é duplamente sintomática: reflete a falta de freios que é a própria expressão do esvaziamento da política -- isso que eu menciono ao observar a falta de pudor nas ações que contrariam visivelmente o interesse público, mas também indica a enorme ignorância em que se amparam as ações dos nossos políticos. A censura à internet não é só um enorme ônus político, é uma proposta inútil e ineficiente para o que ela se pretende. Somente se não se compreende o que está no fundo das relações e dos mecanismo da internet se pode pretender censurá-la. É lamentável que nossos políticosm sendo insensíveis às demandas mais elemantares ao aprimoramento da nossa democracia, sejam também incompetentes para realizar seus próprios interesses privados. Quem não é capaz de realizar seus propósitos tampouco pode realizar o de qualquer outro.

As regras e possíveis modificações no texto que irá censurar a web em tempos de eleição serão votadas amanhã. Qualquer que seja o resultado, tomem nota, este blog continuará escrevendo sobre política como sempre fez. Mesmo que seja preciso migrá-lo para servidor chinês ou búlgaro, ainda que para escrever eu deva encontrar maneiras de burlar filtros, usar vias e canais criptografados. Não será o poder despótico e estúpido de poucos que me deterá -- quando as possibilidades de fugir às barreiras são tão grandes e variadas. A abertura que a internet promove para a informação e o debate político ainda não foi inteiramente revelada, mas quem acompanhou pela web as eleições de 2006 teve um breve indício do que pode ser. Além disso, a eleição americana e mesmo a eleição do Irã nos dão conta de como as coisas podem correr. O caráter irrestrito da internet pode produzir males, mas já modificou certas práticas e modos de fazer política. Querer domesticá-la é apenas o gesto desesperado de quem se vê diante da possibilidade de perder o controle da maneira como as informações chegam ao público. Num país cuja prática saudável da parcialidade honesta se mascara com os véus da imparcialidade, a polifonia da internet é o melhor remédio e estou certo de que, com ou sem a permissão das autoridades públicas, e apesar ds exclusão da maior parte dos brasileiros, as pessoas mobilizadas no debate público pela internet conseguirão, no mínimo, emplacar suas pautas e forçá-los a discuti-las. No máximo, ajudar no aperfeiçoamente das ideias, na mobilização de mais pessoas para o debate eleitoral, na revitalização da política impulsionada pelo apelo sedutor que ela pode ter quando embrulhada no tecido das novas tecnologias e da novidade. Estou esperançoso, apesar de tudo. Quem sabe, ao final de todo esse episódio, consigamos reaver a consideração dos políticos (ou o medo deles) pela nossa opinião, na medida em que eles se vejam sujeitos a uma força que não podem controlar.

PS. Um agradecimento especial a Sarita Santedicola, que foi elevada -- ou reduzida, vai saber -- à condição de revisora oficial dos meus dislexismos. Que são muitos, vocês sabem.

06 Setembro, 2009

PercPan 2009 - Show do Beirut



Fomos ontem anteontem ao TCA desarmados de paciência. Por maiores que fossem os méritos das duas atrações que nos separavam do show que esperávamos, a expectativa tornava qualquer demora enfadonha. Todos estavam ali com o claro propósito de ver e ouvir Beirut. O início das apresentações estava marcada para às 19:30. Começou às 20h com a apresentação Cyril Hernandez e Cyrille Brissot. A primeira música foi cativante e criou uma expectativa que não se cumpriu. Eles trouxeram um barril metálico transformado em um enorme tambor com o qual misturaram as batidas reais à reprodução em vídeo e áudio de uma composição de muitos outros instrumentistas tocando simultaneamente. O efeito foi forte e a platéia inteira se animou. O que se seguiu, no entanto, foi uma série de experimentações curiosas, mas pouco originais e nada estimulantes. O efeito percusivo da água, sons extraídos do chão, das paredes, mesclados a efeito reproduzidos pelo computador. O francês dançava e brincava com o platéia. A parte mais interessante, além da música inicial, foi a participação do curador do Percpan, Marcos Suzano, tocando pandeiro nos momentos em que sons eletrônicos flertavam com a música brasileira, para logo em seguida cair novamente na experimentação. Depois disso vieram os japoneses da Oki Dub Ainu Band com seus instrumentos típicos. Quando o Marcos Suzano participou mais uma vez, comandando a percussão, o som ficou realmente interessante e tive mesmo vontade de conhecer a banda. Depois disso a coisa desandou, sairam os intrumentos tradicionais e ficou apenas uma guitarra rodeada por mil pedais. Marcos Suzano e um dos japoneses ficaram ali costurando sons e experimentando texturas para aquela infinidades de efeitos dos pedais. Não era pra mim, saí.

Quando a sinere tocou novamente, o público voltou em polvorosa. O palco estava armado para o Beirut. A coisa toda principou com Nantes e então começava a se dividar as curiosidades dessa noite impar. Primeiro, o público. Cada gesto da banda e do seu vocalista era acompanhado por aplausos e comportamentos excessivos, a impressão era de que estávamos diante dos Back Street Boys ou coisa que o valha. Mas Zach Condon contribuia. Ele parecia muito à vontade no palco, cheio de trejeitos, conversava com o público num português canhestro mas surpreendentemente inteligível e algo elaborado. Eu lembro de ter pensando que certos modos dele me lembravam Jim Morrison, embora com mais simpatia. E a impressão de uma forte presença no palco e do domínio do público aumentou quando ele, talvez motivado por fatores até então insuspeitos, resolveu mudar certas coisas. Um dos aspectos mais chatos de assistir determinados shows no TCA é ter que ficar sentado. Zach então pediu que o público se levantasse e viesse até ele. Uma avalanche despencou das cadeiras do TCA em direção ao palco. A insubordinação que talvez pudesse ser interpretada como inconveniente e descortês pela organização do evento, era certamente um aceno de sensibilidade para o público. Eu, velho que sou, preferi ficar sentado confortavelmente na minha cadeira. Mas então estavam lá, a banda e o público separados pela distância de pouco mais de um metro que consistia na altura do palco. Nada mais do que isso. Passaram-se algumas música até chegarmos em Elephant Gun. Apesar de todos os clichês, é realmente emocionante porque a música é forte, ela não atingiu em vão o status que tem como representativa da música deles. Tem apelo e vai se avolumando desde os acordes iniciais daquele instrumento que parece um cavaquinho até depois, quando entra o teclado e então os metais soam intensamente, no clímax. É preciso dizer, nada do show saiu do padrão. Nada diferente do estúdio, mas ainda sim interessante, a vivência da música ao vivo dá novas cores mesmo ao já conhecido. Bem, então Zach, conversando com o público fala pela primeira vez "Você pode cantar comigo". Mas antes ele parecia ter se dirigido a uma pessoa particular no meio da multidão. A coisa seguiu assim, o público cada vez mais apaixonado por essa nova relação que se estalebecia e ele algo ansioso para estreitá-la. Ele chegou mesmo a fazer gestos como se sugerisse que alguém subisse no palco, mas não o interpretaram assim. Talvez porque o "Você" na frase indicasse ou deixasse a suspeita de que se tratava de um "Vocẽs" não flexionado, compreensível pra um americano. Bem, assistam vocês mesmos à execução de Elephant Gun e observem o comportamento do cantor. Pouco depois, não satisfeito, ele repete a mesma frase enfaticamente e gesticula para o público, dessa vez, pede para que eles subam ao palco. Foi o suficiente. Cinco, quinze, quarenta e três, cinquenta e sete, tivessem mil pessoas em cima do palco, ainda sim ninguém teria julgado que era o bastante. Imensa ingenuidade de Zach acreditar que apenas poucos gatos pingados subiriam, mas enorme insensibilidade do público ter transformado o convite numa cena de selvageria. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a selvageria em O nevoeiro. Vejam vocês a balbúrdia que se produziu pelo convite. Resultado, luzes acessas, produção no palco pedindo que as pessoas retornassem aos seus lugares, descessem das cadeiras. Um episódio lamentável. Ao final, se descobriu que um dos microfones fora roubado. O jornal A Tarde publicou uma foto em que um sujeito aparece segurando o microfone, no canto esquerdo inferior.



Do início do show até esse acontecimento transcorreu muito pouco tempo. O tempo restante, curto, foi marcado por um clima profundamente desagradável. A banda tocou por uma hora  -- ou menos -- no total. As luzes acesas, o desconcerto pela atitude do cantor contraposta ao comportamento do público -- incluindo o roubo. A essa altura eu havia perdido parte do interesse e confesso que fiquei um pouco disperso. Pouco tempo depois o show acaba e o público tem oportunidade de ficar sozinho refletindo sua conduta enquanto espera um eventual bis. Eu não gosto dessa turba híbrida entre indies e emos, que se veste de um jeito característico e tem um comportamento quase histérico. O que há de lamentar nessa noite, em parte se deve a essa histeria quase infantil e descontrolada. Pouco depois um representante da produção sobe no palco e diz que eles voltarão para tocar mais duas músicas e aproveita para pedir que o microfone seja devolvido e também um instrumento. Ou seja, foram dois os objetos roubados. A banda volta, ainda constrangida, toca uma música e, na segunda, os músicos saem do palco e fica somente Zach com a sua espécie de cavaquinho. Ele tenta tocar uma música mas não consegue -- e a essa altura mesmo quem ainda tinha dúvida de que ele estava bêbado se convenceu. Errou a letra, os acordes. Levou a mão ao rosto como quem ri nervosamente por uma cena vexatória (também com algum deboche), mas simultaneamente constrangido. Só saiu do palco porque foi chamado. Quase puxado pelo braço.



Eis o relato da noite do dia 04 de setembro no Teatro Castro Alves. Não foi de todo ruim, mas um pouco de profissionalismo da banda -- e de civilidade do público -- teriam contribuído para um noite melhor. Profissionalismo etílico, até, pois eu já assisti muitos shows incríveis de drogados profissionais e alcoólatras assumidos. No entanto, a atitude de Zach não respalda o comportamento da platéia, a histeria, o roubo. É vergonhoso que conste episódio semelhante no currículo da cidade. É esperar que o episódio contribua para o amadurecimento das duas partes e enquanto isso, ouvir Beirut em CD ou mp3 -- parece menos trabalhoso e especialmente, menos frustrante.

05 Setembro, 2009

brausen.com.br

A partir de hoje o blog tem um novo domínio http://brausen.com.br ou http://www.brausen.com.br -- escolham vocês. O antigo link continua ativo http://brausen.blogspot.com, mas redirecionado para o novo. Se possível, substituam o endereço.

Bem, eu iria escrever alguma coisa sobre o folclórico show do Beirut de ontem à noite, mas meu estado alcoólico pós meio-dia permite muito pouca coisa. Prometo que amanhã conto minha versão dessa novela, mas sem nenhuma revelação bombástica.