27 Fevereiro, 2008

Prudência interpretativa



Na linha na minha afamada falta de caráter, faço aqui, como todos têm feito, uma breve nota sobre as interpretações produzidas a propósito da despedida de Fidel do poder. É prudente suspeitar das análises que sobre as coisas humanas tentam reduzi-las a um simples sim ou não, bom ou mal, ou qualquer outra forma binária. É quase sempre um discurso dogmático, doutrinário, o que está mascarado em tais linhas interpretativas.

Aliás, Luis Fernando Veríssimo dá uma boa resposta a uma questão que tangencia este tema, numa entrevista concedida a Carta Capital, numa das suas últimas edições. Fiquem com ele, pois.
Renato Pompeu - Você é muitas vezes apontado como esquerdista. O que acha de Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador? Como você qualificaria o estado atual da esquerda no Brasil em geral e o governo Lula em particular?

Luis Fernando Veríssimo - No Brasil temos o mau hábito de exigir opiniões absolutas sobre tudo. Talvez porque as opiniões relativas pareçam vir de cima do muro. Mas você pode achar certas coisas em Cuba admiráveis, como a independência que conseguem manter ali embaixo do focinho dos Estados Unidos e o que, apesar de tudo, conquistaram em matéria de saúde pública e educação, e achar outras lamentáveis, como a falta de pluralidade política e a presidência vitalícia do Fidel. Entende-se que a direita brasileira seja obcecada por Cuba e, agora, pelo Chávez, mas não é preciso imitar sua radicalidade, a favor ou contra. A mesma coisa vale para os Estados Unidos, que são admiráveis e execráveis, dependendo do que você está falando. O governo Lula, a mesma coisa, só que nesse caso a gente tende a ser mais a favor do que contra para não engrossar o coro dos reacionários, que já é suficientemente grosso. Esse tal de novo populismo na América do Sul é importante menos pelo que é do que pela sua origem, o fracasso de políticas neoliberais recentes em cima de todos os anos de descaso social das elites do continente, que agora têm que enfrentar os Chaves e os Morales e outros monstros que criou. O novo populismo, ou como quer que se chame isso, também tem seu lado animador e seu lado discutível, além do seu lado precário. Já a esquerda brasileira continua como sempre foi, dividida.

21 Fevereiro, 2008

Lebrun e a pobreza

Lebrun pensa questões relativas à pobreza em artigo originalmente publicado no Jornal da Tarde, em 1981 -- compilado no livro Passeios ao léu. O conteúdo de sua reflexão é atual e instingante. Recortei fragmentos do artigo que julguei interessantes.
Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento indica que"somente 32,8% dos brasileiros apresentavam, já em 1975, adequação calórica na dieta" -- que "o consumo médio calórico atinge 94,7% dos níveis mínimos recomendáveis" -- que "no Brasil ganham até um salário mínimo mais de 60% da população, enquanto somente no Nordeste 17,5 milhões de pessoas têm renda mensal de 800 cruzeiros" (O Estado de S. Paulo, 19.7.81, p.22). Todos hão de concordar que cifras tão sombrias tornam fúteis muitos problemas filosóficos, e bizantinas muitas querelas ideológicas. Pois a questão da pobreza não diz respeito apenas a madre Teresa de Calcutá ou aos táticos da revolução: ela interroga todos nós, a todo instante.

(...) Falta de poder social: o que isso quer dizer? Talvez valha a pena analisarmos este conceito, se quisermos penetrar um pouco mais na essência da pobreza. (...) "Alguém não é pobre -- escreve -- porque lhe falta um emprego produtivo e, portanto, uma renda adequada." O que acontece é antes o contrário: é porque alguém já é pobre, que não encontra trabalho fixo ou bem remunerado; é porque já é pobre que já é pobre, que terá uma escolaridade má e estará fadado ao concubinato, etc. Em suma, é por já ser pobre que alguém se vê, desde o começo, aprisionado na pretensa "cultura" ou "subcultura", através da qual os culturalistas, erradamente, definem a pobreza. Pois, afinal de contas, em que consiste essa maldição original? Diremos que ser pobre é não ter dinheiro?... Afirmá-lo seria tomar, uma vez mais, o sintoma pela causa: "O dinheiro não é mais do que o signo dos direitos apropriados que propiciam uma renda". A maior parte de tais direitos depende da produtividade do seu trabalho e dos fatores que a compõem: da boa saúde, da força física, mas acima de tudo, da habilidade adquirida pela instrução. É fácil ver que esses fatores remetem a direitos sociais elementares (à saúde, à moradia, à educação) Ora, o que é um direito? É uma potencialidade que estou fundado a exigir da sociedade.. Mais até: "O direito não é nada, escreve Labbens, se depender da boa vontade do outro ou não puder ser exercido. O direito, portanto supõe um poder." (...) Analisa-se a pobreza como se a posição econômica dos atores fosse determinada estritamente pela sua posição no sistema produtivo, isto é, pela classe a que pertencem. Galbraith percebe, sem dúvida, o quanto é insuficiente esta determinação, mas é para refugiar-se na explicação pela "acomodação" que, afinal, é tão pouco esclarecedora quanto as explicações que refuta, pois também desconhece, "para retomar as distinções de Max Weber, que não é somente a classe que conta, mas também o poder e o status". O poder, isto é, o conjunto dos direitos políticos que tenho condições de exercer efetivamente. O status, isto é, o lugar que a sociedade me reconhece e que não coincide necessariamente com o meu papel econômico.

(...) Quer dizer: é perigoso desconhecer a dimensão política do problema da pobreza.
Daí talvez possamos extrair uma conclusão prática. Se não começarmos reconhecendo aos pobres -- por analfabetos que sejam ou explorados, ou por "acomodados" que nos pareçam -- uma voz e um peso político efetivo, os remédios mais miríficos ficarão sem efeito. É assim que a expansão econômica poderá muito bem multiplicar os empregos: sozinha ela nunca permitirá reduzir seriamente a pobreza. -- "Vamos fazer o bolo crescer, que depois o repartiremos equitativamente": como já ouvimos esse discurso de bons apóstolos! (...) Mas, se nos recursamos a dar a todos os atores ou ao maior número possível deles um poder efetivo, cifrado politicamente, é evidente que essa alteração nunca ocorrerá. -- e que mais cedo ou mais tarde, a despeito de tantas experiências infelizes ou simplesmente medíocres, surgirá a tentação do socialismo estatal.

LEBRUN, Gérard. Passeios ao léu. "A pobreza". Grifos meus

20 Fevereiro, 2008

Um parecer tardio sobre Tropa de Elite

Quando o filme foi lançado os comentários pulularam freneticamente e eu me abstive de produzir também o meu. Muita coisa boa foi escrita a favor e contra (se é possível colocar as coisas nesse patamar de simplicidade), por isso me senti confortável para silenciar. Agora, avançado o debate, diante da premiação do filme no Festival de Cinema de Berlim, resolvi expor brevemente meu parecer e, acima de tudo, comentar um post de Alon que encerra uma opinião algo confusa.

Meu juízo sobre Tropa de Elite é positivo -- mesmo aqueles que se posicionaram contra reconhecem os méritos da produção e as boas atuações, em especial a de Wagner Moura. Ponto para ele. As divergências estão localizadas na sua temática e na condução. O argumento fascista grassa sem reservas, agora endossado pela autoridade da revista Variety. A idéia de que o filme é uma espécie de "a celebração da violência pelo bem" importa de um identificação maniqueísta que atribui às autoridades policiais a condição de defensores do bem e perde, por isso, a dimensão crítica que ele elabora. Examiná-lo com as lentes do bom e do mau é incorrer no equívoco que tem lhe rendido tão má reputação. O trunfo do filme está compreendido na representação do esgarçamento dessas relações binárias (bem e mal, mocinho e bandido) e na apresentação de uma dinâmica que não mais se inscreve no roteiro das prescrições institucionais, mas que se orienta segundo interesses que não se detêm mesmo diante da morte e da tortura. Quem vê nas polêmicas cenas de tortura o esquema mocinho-bandido está fadado a discordar dessa abordagem. O fato de o agente policial cometer atrocidades sob a pretensa licitude conferida pela condição de autoridade não o torna um panegírico da violação dos direitos humanos, mas um retrato de uma realidade mais comum do que se imagina. Se os cariocas se espantam com a ação dos agente do BOPE, imagina o que fariam se conhecessem a conduta de alguns componentes da Polícia Militar baiana.

Onde se localiza, no filme, a defesa desse tipo de comportamento?
Como ele se configura como celebração ao invés de representação?

É preciso lembrar que a atitude fascista é coerente com suas instituições, valores e idéias, não há defasagem entre as idéias professadas pelo fascismo e ação dos seus agentes policiais, carcerários, etc. No filme, ao inverso, o que está exposto é uma descompasso entre os princípios que emprestam legitimidade à instituição pública e a conduta que efetivamente é exercita em nome dela. Não existe violência pelo bem, mas violência pretensamente justificada pela autoridade -- é disso que ele trata. O foco narrativo centrado no personagem policial não garante a conivência com as suas atitudes, esse é um dos pressupostos dos que atacam Tropa de Elite.



Bem, minha pretensão aqui, conduto, não é defender o filme, mas comentar uma defesa que eu julgo equivocada -- apresentada no post de Alon intitulado Fora do cercadinho (17/02). Ressalvemos, antes, alguns pontos concorrentes:
Se se fizer um balanço de todas as críticas dirigidas ao filme, ele não foi acusado em nenhum momento de deficiência estética ou técnica. Nem foi dito que retrata uma realidade inexistente.
Essa opinião está em uníssono com o que eu digo acima. No próximo período, porém, as afirmações ganham dimensões extravagantes:
Tropa de Elite é mais uma prova da superioridade do realismo sobre escolas artísticas de inspiração subjetivista e abstrata.
Prova, como se sabe, depende de critérios e não pode ser mobilizada senão no lastro de enunciados que pretendam servir de base para sua afirmação. As conexões entre Tropa de Elite e a suposta superioridade do realismo sobre as escolas subjetivistas são obscuras, senão inexistentes. O que se segue a essa afirmação não é o seu esclarecimento, mas uma coleção de asserções pouco consistentes.
Tropa de Elite é o nosso Resgate do Soldado Ryan. E o José Padilha (na foto, recebendo o prêmio) é um Steven Spielberg, só que com menos dinheiro e fazendo filmes falados em português.
É assim que fica provada a superioridade do realismo? Qual é a relação entre essas afirmações e a afirmação precedente, quanto a superioridade sobre a suposta superioridade? Nenhuma. Aqui, as referências têm somente peso retórico. Segue o comentário:
Se Machado de Assis tivesse produzido em inglês, seria um Shakespeare.
A isso só posso responder convocando Álvaro de Campos:
Ah, quem escreveria a história do que poderia ter sido?
Será esta, se alguém a escrever,
A verdaderia história da humanidade.
Ora, deixemos de lado a poesia, qual é o sentido de tais afirmações, por que Machado de Assis precisaria ser Shakespeare? Qual é o problema das coisas como elas estão?
Bem, o filme não fica melhor por ter abocanhado o Urso de ouro. Só que num país como o nosso, de mentalidade colonizada, sempre é bom o cara obter o que aqui, sintomaticamente, é reverenciado como "reconhecimento internacional"
Como é possível que o argumento Shakespeare coexista com a opinião de que "num país de mentalidade colonizada é sempre bom obter o que é reverenciado como reconhecimento internacional"? Se o argumento referido é forjado para demonstrar que nossas produções culturais não devem nada às produções internacionais, mesmo na área da literatura, como é possível que ele se afirme mediante o estabelecimento de padrões de reconhecimento internacionais? Forja-se uma unidade internacional, uma moeda internacional, para avaliar o produto nacional. Não parece uma petição de princípio? Não vejo como pode ser benéfica à imagem de Machado de Assis a equiparação a Shakespeare a menos que se reconheça nessa, com antecedência, um padrão de excelência que pode ser transmitida ao escritor brasileiro. A melhor forma de afirmar nossa identidade é prescindir das referências externas, ainda que como recurso metodológico -- pois esse uso soa sempre como um tiro que saiu pela culatra. (O que não quer dizer, para antecipar possíveis réplicas, que essas relações não sejam funcionais, válidas ou operativas, digo apenas que elas não podem ser o fundamento da nossa identidade).
Tropa de Elite é um filme espetacular. É um Vidas Secas do Brasil urbano.
Longe de mim partilhar um certo autismo do Bruno Tolentino, contudo, não acho que seja algo proveitoso esse trânsito desavisado entre áreas e segmentos tão díspares. Vidas Secas é Vidas Secas, Tropa de Elite é Tropa de Elite, aprender a não confundir as duas coisas, saber o limite das analogias possíveis e dos usos prudentes, é tarefa de uma Educação sólida. Com todos os méritos que podem ser creditados a Tropa de Elite, nenhum deles torna menos danosa à obra Vidas Secas uma analogia semelhante.

19 Fevereiro, 2008

Música para Download

Resolvi criar seções destinadas a compilar blogs que servem música para download (estão na coluna à direita, abaixo do Blogroll). Há música para todos os gostos catalogadas nas seções: música brasileira e música internacional. É possível, evidentemente, encontrar músicos e perfomances de artistas internacionais entre os blogs elencados na parte nacional, a seleção é mais marcantemente temática do que geográfica.

Há tempos os blogs são ferramentas confiáveis para acesso a música. Em se tratando de música brasileira, estão a anos luz de qualquer outro meio. Sempre que posso destaco o trabalho do compadre Zeca Louro, no Loronix, mas há muita gente boa em toda parte. Por exemplo, há muitos álbuns do Arrigo Barnabé disponíveis no Som barato. O Loronix conta com uma ferramenta de pesquisa muito interessante, pela qual se pode rastrear os posts para álbuns segundo critérios de pesquisa. O acervo é fantástico: Doris Day, Paulo Moura, Altamiro Carrilho, Dorival Caymmi, João Gilberto, João Donato, Caetano Veloso, Baden Powell*, Elis Regina, Nara Leão, Aracy de Almeida

Selecionar artistas para ilustrar o acervo é uma tarefa inglória para um obsessivo confesso, incomoda muito a sensação produzida pelas figuras que deixei de fora de modo que estou tentado a elencá-las aqui -- mas me controlo -- caso contrário, ceder ao meu desejo iria me levar a inventariar todo o patrimônio do blog. Acima, selecionei álbuns que me agradam e artistas que eu imagino que poderiam produzir um bom efeito sobre os interessados em música brasileira. É preciso lembrar que alguns destes espaços já não são atualizados ou passam por períodos de abandono, no entanto permanece por lá o conteúdo inegavelmente interessante.

Há ainda uma seção destinada aos blogs de música internacional, que selecionam de Jazz a Trip hop. Há muita coisa do Pop britânico, Rock, o conteúdo é diverso, visitem e se divirtam.

A propósito, aceito sugestões e recomendações.

* Recomendei, aqui mesmo no blog, alguns álbuns do Baden em outra publicação.

17 Fevereiro, 2008

La vuelta al día en ochenta mundos


Desafiado por um amigo que reclamou da dificuldade de encontra o livro de Cortázar, La vuelta al día en ochenta mundos, resolvi me ocupar em buscá-lo. Não bastaram mais do que alguns minutos e um operador Google para encontrar o que ele definia como raro. Segue abaixo para vocês, amados e não menos raros leitores, o exemplar escaneado do livro de Cortázar num pacote compilado de imagens JPG. Decerto é mais conveniente, em se tratando de ebooks, tê-los em texto, pois assim ao menos contamos a vantagem de poder manuseá-los. Conduto, em vista da dificuldade de achá-lo mesmo em exemplares impressos, vale a pena o esforço da leitura no computador. Leiam, acima de tudo o conto Lois, enormísimo cronopio -- segundo sugestão de meu amigo.

De saldo, assim, como se tivesse menor valor, segue em PDF o livro Bestiario. Ambos, diga-se de passagem, na língua original. Clique nos links abaixo para baixá-los.

Julio Cortázar - La vuelta al día en ochenta mundos
Julio Cortázar - Bestiario

Extraí o livro desse site, que compila publicações e materiais referentes a Cortázar.

ATUALIZAÇÃO:
Enquanto buscava encontrei uma página interessante, ela indexa os livros de Cortázar e relaciona os contos que cada um traz, apontando links para aqueles que estão disponíveis na internet. Vale muito a pena! Clique aqui para acessá-la.

16 Fevereiro, 2008

Uma proposta para Educação a ser discutida



Gilberto Dimenstein comenta na sua última coluna, do dia 11/02, a proposta da secretaria da Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães, de promover o pagamento de bônus aos servidores das escolas a partir do desempenho dos alunos. Não sou inteiramente contra a medida, mas acho que há um grande risco envolvido.

A avaliação do desempenho dos alunos só pode ser feita em termos de abstração dos resultados individuais. Como avaliar qualitativamente dados globais? O risco é tornar legítimo um sistema qualitativamente fraco, que no entanto que se expressa em índices quantitativamente satisfatórios. Tudo depende dos critérios escolhidos para avaliação, do método empregado. O bônus pode estimular o interesse na alteração do desempenho pouco comprometida com critérios qualitativos de melhoria. Uma indústria da educação que fabrica números sem se comprometer com resultados.

É preciso pensar com cuidado a formulação de uma proposta semelhante e acompanhar de perto as avaliações e os avaliadores. Ao final, o jornalista ainda escreve:
Nenhuma organização, seja ela qual for, consegue prosperar se os mais esforçados não forem reconhecidos.
Para alunos, que estão em fase de desenvolvimento e precisam ser orientados e estimulados, o reconhecimento tem uma função psicológica. Para os servidores a eficiência do trabalho depende de fatores diversos: infra-estrutura e a própria disposição, entre eles. Eu penso é que extremamente problemática a idéia de vincular a melhoria de desempenho a alguma espécie de remuneração. Primeiro, porque os servidores são remunerados para exercerem suas profissões (se bem ou mal remunerados essa é uma outra questão), segundo, porque parece contraditório que um domínio tão importante para o esclarecimento político seja fomentado através de um mecanismo econômico atomista (e antipolítico), que subordina o desenvolvimento coletivo ao "enriquecimento" pessoal. É uma estrutura muito frágil a que se constrói quando o interesse público se organiza e se mantém apenas à força de interesses pessoais. Talvez, contudo, seja possível pensar uma alternativa para equacionar os aspectos positivos e negativos dessa proposta.

Nassif e a Veja

Os artigos que Nassif tem produzido sobre a revista Veja deixaram a internet em polvorosa. Alguns apoiam, outros discordam, mas todos debatem. Eu não posso deixar de contribuir modestamente para a composição da base Google de referência para os artigos. Quanto mais links, mais fácil achá-los e mais pessoas os encontrarão a propósito de qualquer pesquisa sobre a Veja.

Um breve comentário faz-se indispensável, alguns dos que protestam contra os artigos insistem em lançar a técnica dardeje o autor para se desfazer dos embaraços produzidos pelos textos de Nassif. Já escrevi algumas vezes sobre esse modo leviano de argumentar e sobre as confusões que animam a relação entre discurso e autor.

Para os que alegam que há motivos pessoais envolvidos e sublinham a saída da Folha como suposta premissa para essa conclusão -- ainda que eu não entenda bem a relação de uma coisa com a outra -- eu sugiro que leiam a declaração de Octávio Frias Filho sobre a saída de Nassif publicada no seu blog no dia 12/01/08, sob o título de Razões da saída de Nassif da Folha. Infelizmente o sistema de links permanentes da IG deixa a desejar, é preferível procurar nos arquivos do blog, pela data. Transcrevo aqui uma parte do que foi publicado:
"A interrupção da coluna do jornalista Luís Nassif na Folha, ocorrida em julho de 2006, deveu-se às renovações que periodicamente o jornal procura promover. Nassif manteve a coluna diária sobre assuntos econômicos por mais de 15 anos. Tanto ele como a Folha convieram que era tempo de mudanças. A fim de se dedicar a seus empreendimentos pessoais, na mesma ocasião Nassif deixou o Conselho Editorial do jornal", explica Otávio Frias Filho.
Vamos admitir agora que de fato Nassif é movido por interesses pessoais, como isso altera aquilo que está exposto em seus artigos? Como a verdade do que se encontra lá perde força por conta das qualidades ou intenções do autor? De forma nenhuma. Os ataques ao autor apenas desviam a atenção do essencial, pressupõem a subordinação do discurso à natureza e intenção do autor e deste modo pretextam um terreno subjetivo de investidas pessoais -- ou seja, ensejam atalhos.

Mais uma vez sugiro a leitura dos artigos, ainda que pra discordar -- do texto, não das intenções e qualidades do autor.

Nassif analisa o itinerário da Veja

08 Fevereiro, 2008

Frases para anotar

Aos meus olhos Amélie Nothomb é uma escritora mediana com forte pendor para ruim. Contudo, em Dicionários de nomes próprios ela cunha uma afirmação verdadeira e ilustrativa:
Cada indivíduo sem dúvida tem no universo do escrito uma obra que o transformará em leitor, se o destino favorecer tal encontro.
Georges Kern, presidente da IWC, do grupo Cartier, regalou um relógio a Paulo Coelho cujo preço comentou para a Folha:
Relógios são como mulheres, não se fala em preço.
Ambígua ou provocativa? Você decide!