11 outubro, 2008

Gênio domado



Técnico, pra mim, era Telê (e alguns antes dele). O resto é um corja de retranqueiros. Alguns bons, outros maus, mas todos retranqueiros. Incluído aí o Paulo César de Oliveira, do futsal.

Vou colocar as coisas de forma bem direta e vocês, se discordarem, por favor apresentem os argumentos. Se um técnico não consegue encaixar Falcão em um time, fazê-lo jogar no grupo, integrá-lo -- que se troque o técnico! Simplesmente. E assim até que encontremos algum infeliz que possa realizar essa façanha. O que me parece inaceitável é pensar que é possível justificar a ausência de Falcão da quadra por um minuto sequer -- salvo cansaço, claro. Em qualquer outra circunstância o Brasil é prejudicado. Falcão é um gênio, é o jogador mais habilidoso que eu vi jogar (e não há Ronaldinho Gaúcho, nem Robinho que chegue nem ao calcanhar dele). Pena que tenha investido na possibilidade de uma carreira no futebol através das mãos de Leão -- um dos técnicos mais nojentos e problemáticos do futebol brasileiro.

Falcão é o Pelé do esporte mais praticado no país. Quando ele entra em quadro, pega na bola, a torcida vibra pela mera possibilidade de uma jogada. É ridículo que a torcida e o time sejam prejudicados para que o técnico afirme a tese mais manjada do futebol: que o resultado é mais importante. Sabemos disso muito bem, desde 94. Quando ninguém mais souber quem é PC de Oliveira, muitos ainda lembrarão saudosos dos lances de Falcão, vamos colocar as coisas em sua devida ordem. Alguns alegam que é opção tática a ausência constante de Falcão -- sim, é uma opção tática errada! Outros apontam para momentos de pouca criatividade ou a fragilidade a que se expõe um time ofensivo e dizem: vejam, é isso que dá. Mas ora, um jogo tem que admitir a possibilidade de derrota, uma formação defensiva não garante a vitória. Se marcadores estão credenciados para marcar melhor, os finalizadores são mais aptos para concluir jogadas. Escolher uma das duas formações é uma opção tática moldada a partir dos elementos que compõem a equipe. Vocês não acham que, sabendo o perfil de PC, os jogadores quando entram em quadra numa formação ofensiva não se sentem intimidados? Claro que se sentem! Eles sabem que a má atuação ou uma atuação medíocre é necessária para justificar um arranjo defensivo. Tudo que quer um técnico retranqueiro é ter ocasião para justificar suas escolhas táticas. Como se a escolha tática não fosse uma forma de atuar, mas sim uma consequência de uma certa configurações do jogo, causalmente determinada.

Eu me sinto roubado toda vez que assisto uma partida do Brasil e não posso ver Falcão jogar. E imagino que grande parte da torcida brasileira também. Aqui um bom argumento em favor da minha posição.

Atualização: Brasil vai pegar Venezuela com três volantes. Olha lá, não disse! Patético.

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