07 agosto, 2008

A vida como nós a conhecemos

Exclusivo: Sonda Phoenix vê água líquida em Marte
A água em estado líquido indica algo fundamental para a existência de vida, ao menos do modo como a conhecemos.
É uma formulação bastante apropriada: a vida do modo como a conhecemos. Duvido que alguém hesitasse em atribuir vida a uma criatura aparentemente dotada de movimento, que responda ao ambiente, mesmo que ela estivesse imersa numa atmosfera plena de metais pesados e se alimentando de matéria não-orgânica. A vida como nos conhecemos, diante dessa experiência, se alargaria. Digo isso por dois motivos. Primeiro, há uma alegação infantil que se serve da ausência de condições para vida -- como a conhecemos -- para refutar a possibilidade de vida extra-terrestre. Como se o universo tivesse um compromisso com a vida nos padrões da Terra. Segundo, porque esse aferro aos padrões da vida é algo semelhante àquele embutido na defesa da vida por parte dos que não aceitam o aborto ou as pesquisas com células tronco. Se a vida é a correspondência a uma experiência absoluta, a partir da qual se empresta verdade ou falsidade aos enunciados científicos, é inevitável que esse entendimento produza uma postura pouco afeita às flutuações necessárias para admitir a possibilidade de vida extra-terrestre1 ou as pesquisas científicas com células tronco (é claro, não que as duas coisas possam ser colocadas na mesma ordem de prioridade). 1 Admitir a possibilidade de vida extra-terrestre não significa afirmá-la. É tão somente reconhecer o óbvio: não há nenhuma única razão para que imaginemos que organismos fora da Terra devem ter estruturas e funciomento semelhantes aos nossos. Pouco me interessa esse tema -- mas ver brandido assim, impunemente, argumento tão grosseiro mexe comigo!

Nenhum comentário :