15 julho, 2008

Licença para atirar!

O mais recente deslize da polícia do Rio de Janeiro revela que a incompetência não se restringe aos níveis mais baixos da hierarquia policial. O Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, assim com fez mais cedo o relações-públicas da Polícia Militar, o coronel Rogério Leitão, declarou que os policiais agiram corretamente.

Nada contra a necessária presença policial. A abordagem é que falhou, como caso do menino João Roberto. Os tiros disparados pelos criminosos não são licenças para atirar -- nem para matar. Para o policial o tiro deve ser parte de uma ação organizada, com a finalidade primeira de imobilizar o criminoso, de desarticular a fuga ou a atividade. Em algumas circunstâncias, admite-se que o policial mate o criminoso ou dispare para matar. Mesmo assim, abstratamente falando, a morte não deve ser uma espécie de vingança pelos tiros disparados. No caso concreto a coisa fica ainda mais absurda. Os policiais identificam uma atitude suspeita e então, a partir da reação dos criminosos, decidem que devem não só atirar mas atirar para matar -- sem que tenham conhecimento da situação. Atiram e depois avaliam a circunstância. Decidem e depois pagam o preço. Nesse caso, nem isso, pois eles não foram indiciados! Não é de surpreender que a violência grasse sem pudores por aquelas searas, na presença de tamanha incompetência. Lamentável para as pessoas que ficam entre tiros disparados estupidamente ora por bandidos, ora por autoridades policiais.

Nenhum comentário :