16 fevereiro, 2008

Uma proposta para Educação a ser discutida



Gilberto Dimenstein comenta na sua última coluna, do dia 11/02, a proposta da secretaria da Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães, de promover o pagamento de bônus aos servidores das escolas a partir do desempenho dos alunos. Não sou inteiramente contra a medida, mas acho que há um grande risco envolvido.

A avaliação do desempenho dos alunos só pode ser feita em termos de abstração dos resultados individuais. Como avaliar qualitativamente dados globais? O risco é tornar legítimo um sistema qualitativamente fraco, que no entanto que se expressa em índices quantitativamente satisfatórios. Tudo depende dos critérios escolhidos para avaliação, do método empregado. O bônus pode estimular o interesse na alteração do desempenho pouco comprometida com critérios qualitativos de melhoria. Uma indústria da educação que fabrica números sem se comprometer com resultados.

É preciso pensar com cuidado a formulação de uma proposta semelhante e acompanhar de perto as avaliações e os avaliadores. Ao final, o jornalista ainda escreve:
Nenhuma organização, seja ela qual for, consegue prosperar se os mais esforçados não forem reconhecidos.
Para alunos, que estão em fase de desenvolvimento e precisam ser orientados e estimulados, o reconhecimento tem uma função psicológica. Para os servidores a eficiência do trabalho depende de fatores diversos: infra-estrutura e a própria disposição, entre eles. Eu penso é que extremamente problemática a idéia de vincular a melhoria de desempenho a alguma espécie de remuneração. Primeiro, porque os servidores são remunerados para exercerem suas profissões (se bem ou mal remunerados essa é uma outra questão), segundo, porque parece contraditório que um domínio tão importante para o esclarecimento político seja fomentado através de um mecanismo econômico atomista (e antipolítico), que subordina o desenvolvimento coletivo ao "enriquecimento" pessoal. É uma estrutura muito frágil a que se constrói quando o interesse público se organiza e se mantém apenas à força de interesses pessoais. Talvez, contudo, seja possível pensar uma alternativa para equacionar os aspectos positivos e negativos dessa proposta.

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