18 dezembro, 2007

Pais e filhos

Eu sempre me preocupei muito com questões educacionais, há tempos observo a atuação dos pais, analiso a influência de cada gesto na formação do caráter das crianças antes mesmo de dar às minhas observações o tom sistemático do trabalho acadêmico. Sou defensor da autoridade, do valor da preservação da relação hierárquica no que toca à educação. Autoridade não significa violência, coerção, repressão, embora esses fatores devam em alguma medida compor o painel dos instrumentos educacionais. O que se intenta preservar com essa visão é a idéia de que não podemos nos eximir da tarefa de orientar, de conduzir, de moldar os valores de uma criança e de um jovem ainda que, ao mesmo tempo, seja necessário oferecer condições para que tais valores sejam transpostos. A força com que as valores se fixam na mente da criança depende diretamente do respeito, da imagem do educador. Por isso condeno vivamente essa pedagogia perversa que glorifica a igualdade na relação entre pais e filhos, que não compreende a força da diferença, não enxerga na ambivalência do amor-ódio insuflado pela relação parental o laço mais forte que une pais e filhos. Se os pais não souberem impor seus valor aos filhos serão imediatamente depostos pelo sem número de imagens e ídolos pronto para assumir seus lugares na função de modelos. É preciso depor a vaidade e assumir o amor e seus riscos, a idade, suas benesses e maldições. A vida importa tudo isso, basta de ilusões.

Acidentalmente, procurando uma referência a Jurandir Freire Costa, no post passado, encontrei uma entrevista sua concedida à revista Isto É. Recortei alguns fragmentos que se alinham a minha visão, adiantando alguns consequências macabras.
Se as pessoas não puderem se responsabilizar pelas novas gerações, a gente vai jogar esse mundo na lata de lixo. Se a pessoa não se dispõe a cuidar, então não tenha filhos. Isso acontece porque o pai tem vergonha de ser velho, não quer ser um ancestral.
Há figuras públicas que mantêm esses valores (solidariedade, honestidade). Há também o pai que batalha e tem coragem de se impor ao filho, para que depois o filho agradeça. Essa resistência cotidiana me agrada muito mais.
Ou o comentário do jornalista acerca do psicanalista e seu livro:
A crise moral fez com que a autoridade fosse substituída pela celebridade. Nas telas de tevê ou nas colunas sociais desfilam personagens que são vistos com inveja, mas não com respeito, já que muitas vezes são considerados venais, levianos e corruptos. Nem a autoridade dos pais se manteve, já que estes se recusam a ser vistos como portadores de tradições. Querem ser juvenis a todo custo e ocupar o mesmo espaço dos filhos, que acabam por perder referências fundamentais.

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