03 dezembro, 2007

Não se mate!

Estou em dívida com meus leitores. Os compromissos exigiram o sacrifício de toda leitura e produção alternativa. Perdoem-me! Pra que vocês façam uma imagem, meu agregador já conta 3 mil feeds acumulados, há semanas não abro um jornal, eletrônico ou impresso. Deixei uma discussão saudável com Bruno Garschagen e as outras possíveis com tantos outros blogs que eu frequento. Infelizmente, por ora, este quadro é fixo.

O poema abaixo foi enviado por uma amiga. O olhar clínico da amizade sabe o momento exato das palavras, dos poemas.. É incrível!

Quanto mais eu leio Drummond, mais sinto que me faltam coisas a ler. Impressiona!
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão
se é que virão.

O amor, Carlos, você é telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulhos que ninguém sabe
de que, pra quê

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não no claro,
é sempre triste, meu filho Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

Carlos Drummond de Andrade

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