16 setembro, 2007

Mais uma informação útil

Vou cansá-los. Hoje Alon sublinhou um fragmento do artigo dominical de Elio Gaspari no qual ele escreve:
O Senado não existe para carimbar decisões tomadas pela opinião pública ou por parlamentares e jornalistas que se consideram seus porta-vozes.
Ao que de imediato relembrei minhas palavras:
Na aplicação das leis as instituições não devem se comprometer com o clamor popular, elas servem ao povo mesmo quando aparentemente se opõem a ele
Mais adiante ele segue examinando o fato de que o Portal G1 flagrou em mentira os senadores, registrando um número maior de declarações de votos a favor da cassação, do que de fato foi computador no dia da votação. Alon, desta vez, explica:
Quando, numa determinada disputa, o jornalismo decide que o certo é adotar ele próprio o papel de protagonista político, o jornalismo deve saber que será tratado pelos agentes políticos como um deles. Como um igual. Políticos não têm a obrigação de serem sinceros com os adversários e inimigos.
E prossegue exemplificando de modo caricato:
Senador, obrigado por aceitar participar da nossa pesquisa. Nosso jornal acredita que o presidente do Senado, Renan Calheiros, é culpado de quebra de decoro parlamentar e, portanto, deveria ter sido cassado. Nós também consideramos que os senadores que votaram para absolvê-lo são cúmplices dele. Também pensamos que a decisão dos senadores atirou o Senado na lama onde chafurdam os corruptos que desgraçam a vida do nosso país. Inclusive, senador, nós vamos fazer um quadro para contar aos nossos leitores quem são os senadores que votaram contra o Brasil. E então, senador, como o senhor votou? O senhor votou para condenar Renan, para absolver ou absteve-se? Aliás, senador, esse negócio de abstenção é uma vergonha. É uma atitude covarde. O senhor não acha?
Agora temos um painel interessante de breves reflexões que contornam de maneira ilustrativa o papel da imprensa e sua disposição e comportamento em alguns episódios recentes, porém sintomáticos. A observação de que a imprensa assume, nalgumas oportunidades, função equivalente a de um agente político esclarece a relação entre as duas classes. Sugiro, mais uma vez, a título de complementação informativa sobre esse tópico a leitura da entrevista com o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos.

Clique aqui para ler o post do blog de Alon intitulado: "O Senado não existe para carimbar decisões tomadas pela opinião pública ou por parlamentares e jornalistas que se consideram seus porta-vozes" (16/9)

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