O fragmento abaixo é de Para além de bem e mal e sugere a extensão e abrangência que devem nortear a atividade escrita, sob pena de encerrá-la no mero ofício de justaposição vigiada pela semântica, atrofiando, deste modo, a beleza e musicalidade tão necessárias quanto a verdade pretendida pelos partidários de um discurso mínimo, inequívoco. É nesta lateralidade inscrita pela razão positiva, revestida de véus políticos, instituicionais e culturais, que está o núcleo de uma disposição que põe de lado a força e imprevisibilidade como componentes indeléveis da experiência existencial. É por isto que, num primeiro momento, Nietzsche reconhece como arautos da poder da tragédia, Schopenhauer e Wagner. Apesar do distanciamento posterior, a música e os elementos reconhecidos nas obras de ambos permanecem dialogando com seu pensamento.
Que martírio são os livros escritos em alemão para aquele que possui o terceiro ouvido! Como se detém contrariado junto ao lento envolver desse pântano de sons sem harmonia, de ritmos que não dançam, que entre os alemães é chamado de ‘livro’! [...] Que o estilo alemão tem pouco a ver com o som e os ouvidos é demonstrado pelo fato de que justamente nossos bons músicos escrevem mal. O alemão não lê em voz alta, não lê para os ouvidos, mas apenas com os olhos: ao fazê-lo, põe os ouvidos na gaveta.O fragmento é citado neste excelente trabalho que propõe relacionar Nietzsche e a música:
Nietzsche: a filosofia trágica a partir da música






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