17 Agosto, 2006
Israel e Líbano: bandidos e mocinhos?
Postado por
Leonardo Bernardes
Na circunstância de uma guerra a medida da ação política é dada pelo número de vidas preservadas e destruídas. É fato que uma crítica à postura de Israel é necessária àqueles que não estejam de algum modo comprometidos. Contudo, reduzir o conjunto de variáveis implicadas na complexa situação do conflito a um leviano reconhecimento de mocinhos e bandidos é um sensível aviltamento do valor das vidas em jogo. No Líbano a constituição política é híbrida: o Hezbollah tem representação política, dois ministros compõe parte do governo, e simultaneamente segue sua trajetório marginal de atuação terrorista, promovendo ataques e sequestro. Este caráter ambíguo da política libanesa é terreno perfeito para condicionamento de um facção terrorista, ao mesmo tempo que conserva uma aparente institucionalidade em razão da força política, fomenta ações da natureza marginal. O Estado e a população são escudos físicos e políticos que protegem as atitudes do grupo.
Por sua vez a dimensão das respostas de Israel é irresponsável, criminosa; o direito de reagir ao ataque não produz o direito de eliminar uma nação, um povo ou a sua infra-estrutura. A omissão internacional é quase tão culpada quanto a ação israelense e sugere o embaraço criado pelo comprometimento econômico e político entre as grandes potências do planeta, além da submissão da ONU.
As maiores armas produzidas no século XX permanecem inviáveis em razão do alto dispêndio envolvido em seu uso, restringiram-se às ações contra Cuba e alguns paises da Europa oriental. As intervenções econômicas no oriente médio são inviáveis diante da profunda dependência da produção de petróleo daquela região. Enquanto o maior poder ocidental é atado pelo desejo de manutenção de uma ordem de poder que aprofunda as dependências industriais e tecnológicas em relação ao petróleo e obsta o desenvolvimento de alternativas que há muito se apresentam viáveis, o preço dos combates realiza a transubstancialização de um viscoso líquido negro na indelével mancha vermelha que marca o chão do oriente médio, documentando o baixo valor da vida humana.
Repito: o poder político do Líbano (que é a capacidade do Estado de manter sua ordem política a custa da força de coerção) é uma fachada que nubla a possibilidade de um exame claro das condições de negociação; não justifica, porém, o massacre de civis que tem se realizado, mas conduz o análise a um terreno múltiplo e insidioso no qual a vida é apenas um componente a ser manipuladoa. Devemos manifestar o desejo de uma intervenção e de um diálogo que avalie as possibilidades reais de negociação e ponha fim a tantas mortes.
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